Tratamento de Entrevista Adultos – 2
Nome do entrevistado: Heimei Simion
Sexo: Masculino
Nacionalidade: Moldavo
Naturalidade: Moldávia
O nosso trabalho é no âmbito da área disciplinar de área de projecto, e o nosso objectivo é saber como é que é a adaptação ao nosso país e os hábitos de vida.
Pode-nos contar um dia do seu dia-a-dia no seu país? Do levantar ao deitar.
R: O dia lá começa duas horas antes de cá, quando aqui forem 17h00 lá já são 19h00. É um dia normal.
Lá também trabalham todo o dia? Das 9h às 17h?
A que horas é que se levantava, normalmente?
R: Lá levantava-me às 7h00, depois entrava no trabalho às 9h00… duas horas para me despachar, tomar banho e tomar o pequeno-almoço. Trabalhávamos também das 9h00 às 17h00, com hora de almoço.
Qual é que era o seu trabalho lá?
R: Lá era agricultor.
Como é que comemoram lá as datas festivas?
R: A Páscoa é igual, mas lá são três dias. É a que damos mais importância. Também o Natal, mas esse é só um dia.
Então e quais foram os motivos que o levaram a emigrar para Portugal?
R: Procura de melhores condições de vida.
Porque é que escolheu Portugal, especificamente a cidade de Santarém?
R: Foi cá que encontrei trabalho… Já tinha ouvido falar muito de Portugal. Nós ouvíamos falar que haviam agências de emprego cá. Uma semana era para Portugal, outra semana era para Espanha. Eu vim primeiro como turista.
Quando veio para cá já tinha trabalho garantido?
R: Não. Quando vim para Portugal, fui primeiramente para Tomar, trabalhei lá depois o patrão não tinha mais trabalho para nos dar. Depois encontrei trabalho em Santarém e acabei por ficar cá.
E quais são os maiores contrastes que encontra em Portugal, relativamente ao seu país, a nível da língua, do vestuário do dia-a-dia?
R: O maior contraste foi a língua, custou um bocadinho. Só passados seis meses é que consegui dominar um pouco a língua. A roupa é igual… nas datas festivas, na cidade é roupa mais sofisticada e espampanante, nas vilas é normal, como cá.
E relativamente à gastronomia?
R: É um bocadinho diferente, mas há pratos dos quais temos saudades… (risos/pensativo).
Já utilizou o nosso sistema de saúde? Notou grandes diferenças?
R: Já. Lá não tive grandes motivos para andar nos hospitais, por isso não noto grandes diferenças.
E há alguma coisa que o tenha marcado muito? Ou alguma coisa que seja muito semelhante cá?
R: A cultivação.
Custou muito a sua adaptação cá?
R: Custou, porque estava cá sozinho e sabia que tinha lá a família e a minha mulher grávida. Custou um bocadinho, mas depois habituei-me.
Neste momento sente-se integrado na sociedade?
R: Sim.
Arrepende-se de ter emigrado para Portugal?
R: Até hoje, ainda não.
Mas já se sentiu vítima de discriminação?
R: Foi só uma vez, e no início quando vim para cá. Não é frequente.
E como é a sua vida cá? A profissão, habitação, salário, …?
R: O trabalho é melhor do que lá, a casa também.
Como é um dia-a-dia cá em Portugal?
R: Levanto-me às 7h00, vou levar a minha mulher ao trabalho, levo os miúdos à escola e ao infantário. Cá trabalho das 9h00 às 19h00 com hora de almoço também.
E à chegada a Portugal quais foram os primeiros obstáculos com que se deparou?
R: Ao principio foi complicado, tivemos de tratar da legislação, dos vistos, era só papéis, papéis, foi muito complicado. Principalmente porque tínhamos muito pouca informação cá, em termos legais. Tive de procurar tudo sozinho.
De quem é que recebeu mais apoio?
R: Dos amigos, sem dúvida.
O que esperava encontrar em Portugal? Quais eram as suas expectativas?
R: Encontrar ouro! (muitos risos!) Uma mina de ouro. Mas sinto-me satisfeito cá.
Hoje em dia ainda compensa estar cá, face ao salário e ao custo de vida, ou a vida lá não melhorou também?
R: Não, melhorou um pouco mas ainda compensa estar cá. Enquanto tiver trabalho, compensa sempre.
Pode-nos falar de alguns dos seus sonhos ou objectivos profissionais e pessoais?
R: Relativamente à profissão, é apenas continuar sempre com trabalho, devido ao estado económico actual dos países em geral; pessoal, apenas ter saúde e sair-me o euromilhões. (risos)
Quais são as suas perspectivas para o futuro? Pretende ficar cá?
R: Sim, por enquanto sim. Mas gostaria de voltar para o meu país de origem, pois é sempre o país onde nascemos, onde tenho a minha família, etc. Tenho saudades.
Só para concluir a entrevista, há quantos anos está em Portugal? E em Santarém, especificamente?
R: Estou há onze anos em Portugal, em Santarém estou há dez anos.
Agradecemos desde já a sua colaboração. Damos por encerrada a entrevista. Muito Obrigada.
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